Outro dia estava dentro de um ônibus cruzando a cidade na volta de casa, durante à noite. Estava em pé, de frente para uma senhora e sua neta, sentadas em um banco. Algum porcalhão presente no ônibus resolveu fazer seu lanchinho por ali mesmo, e dispensou o lixo no chão do veículo (quanta conveniência). Dentre a porcalhada toda, havia um copo de guaraná natural vazio. Com o movimento do ônibus, o copinho acabava rodopiando pelo chão, ao léu. A senhora à minha frente, em um momento de “pura conscientização”, percebeu a presença do copinho no chão, pegou-o com as mãos, olhou para as janelas à procura de alguma aberta, notou que todas estavam fechadas, e finalmente largou o copo novamente no chão. A neta (uma jovem adolescente) assistiu toda a cena e não foi capaz de dar um esporro na avó (nem eu, no caso).

Pensando um pouco na situação, percebo o quanto nossa cultura do “jogar a sujeira na porta do vizinho pra me livrar do problema” é tão enraizada em nosso povo. Falta consciência coletiva, a capacidade de perceber que tentar se livrar de um problema que surge a curto prazo para você, poderá e irá te atingir e a ao próximo no futuro. É por conta de casos como esses que devemos apostar e muito na educação como forma de solucionar nossas tantas e vergonhosas mazelas.