2006 = 2010 ?

2 04 2009

gol-selecao

“O juiz aponta para o centro de campo, apita! É fim de jogo! Mais uma vez nossa seleção mostrou total competência e sinais de que é favorita ao caneco da próxima Copa do Mundo!”

Parece mentira, mas a seleção brasileira goleou a peruana com grande facilidade, em pleno primeiro de Abril. Talvez não tenha sido pura coincidência, pois tal demonstração da “qualidade do futebol brasileiro” contra o lanterna isolado da competição deve acalmar os corações enfurecidos dos torcedores, insatisfeitos após a ridícula partida anterior. E isso é uma pena.

Assistindo ao jogo pela Globo, pude notar a mobilização de teor beirando a imbecilidade do pseudo-narrador Galvão Bueno, em defesa do técnico Dunga. Em determinada hora de jogo, com o placar já definido pela seleção, Galvão passou a repetir sucessivamente para milhões de espectadores brasileiros: A seleção é alegria! Temos que sentir alegria pela seleção! Quando o povo fica feliz, a seleção fica feliz e joga bem! Não podemos criticar o time nem o treinador, etc… – Eram, aproximadamente, estas as palavras.

Não podemos nos deixar levar por uma fácil vitória de uma seleção coberta de falhas e notávelmente despreparada para a Copa. Salve algumas excessões, presenciamos várias exibições lamentáveis da dita “nova seleção brasileira”, desde 2007. Os motivos das derrotas variam: ou os jogadores estariam cansados, ou desinteressados, ou simplesmente mal escalados.robinho-selecao-brasileira

Muitos sabem, ou deveriam saber, que não se pode culpar integralmente apenas o técnico Dunga pelo fiasco(é sim) do time nas Eliminatórias. Observamos a convocação de um jogador de caráter puramente “comercial”, caso de Felipe Melo que curiosamente entrou para o time como titular absoluto, desbancando muitos outros jogadores reconhecidamente superiores. Essa estranha atitude demonstra, mais uma vez, que temos uma comissão vendida a empresários que utilizam a seleção como forma de divulgação para seus jogadores. Se Felilpe Melo jogou bem contra o Peru? Sim, sem dúvida, mas até Obina teria feito sucesso contra um time tão fraco quanto o peruano.

Porém, deve-se culpar a comissão técnica de Dunga por muitas outras falhas. Sua atitude excessivamente defensiva destrói a identidade da seleção, de ofensividade. Ora, como poderemos marcar muitos gols se jogamos com 3 volantes, contra um time rídiculo do outro lado do campo? A falta de ousadia faz diferença e pode levar ao fracasso, que temo sentiremos no futuro(mais precisamente em 2010).

Ao que tudo indica, o ex-jogador tetra campeão será mesmo o técnico da próxima Copa, e sinto que passaremos por decepcão muito semelhante à de 2006, porém com sutis diferenças: ao invés de uma seleção do “já ganhou”, teremos um time mal preparado e escalado, inferior a boa parte das seleções que enfrentaremos. O Brasil será desclassificado da Copa, e Dunga crucificado. Alguém duvida que o discurso de Galvão será diferente de “Eu avisei! Estava tudo errado!” ou coisa do tipo? Vai parecer um economista falando da crise. E tudo começa novamente… até 2014!


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2 respostas

4 04 2009
Luis Pedro

Ótimo post!!!

Não vou dizer que sou um admirador do Galvão Bueno, mas reconheço seu profissionalismo. Embora ache ele excessivo em querer impor sua voz em 110% do tempo de suas transmissões de futebol, ele não é Diretor de Esportes (ou algo assim) da Globo à toa. Ele apresenta muito bem o Bem Amigos da SporTv, por exemplo, e a F1.

Mas bem, nos jogos da seleção qualquer narrador da Globo terá que pelar o saco do treinador e das estrelas, pois é parte do “espetáculo”. Pra mim, quem está no comando MESMO da seleção brasileira não é tanto o treinador, nem os patrocinadores. Meu alvo é a constrangedora politicagem rondando a CBF (leia-se: Ricardo Teixeira). Sequer pretendo gastar meus valiosos dedos redigindo críticas à sua gestão puramente comercial e totalitária; seguindo o mau exemplo da gestão antipática da FIFA pós-João Havelange.

João Havelange sempre foi altamente admirado aqui no brasil. Para muitos, só não foi presidente da república por talvez considerar a gestão do futebol mais divertida que uma suposta gestão do País. Esteve por 24 anos colaborando com o futebol mundial profissionalizando-o, criando os campeonatos juvenis, agregando novos países à Copa Do Mundo e etc. Sempre achei o Engenhão pequeno e tradicionalmente insignificante pra receber seu nome.

Nisso, vieram os efeitos colaterais: João Havelange inaugurou de vez os supermandatos na FIFA (descontando o caso Rimet), deixou seu braço direito no comando em 1998 (Blatter) sob forte resistência da UE e trouxe esse mau exemplo pra CBF. Este ano cumprimos vergonhosos 20 anos com Ricardo Teixeira como CEO da CBF, além de estarmos no 11º ano de Joseph Blatter como CEO da FIFA.

Porém, o que João Havelange tem a ver com este meu comentário e com este post?
Tudo!!! Afinal ele é o sogrão do Ricardo Teixeira.

Que mais preciso dizer? Família, família, negócios à parte!
E assim, quem se fode é o torcedor e, aos poucos (muitos!), a seleção propriamente dita.

Big hug!

(“Ufffa! Consegui não perder tempo criticando o pobre dunga: um mero paliativo do CEO da CBF.”)

8 04 2009
Leandro

Porra Gabriel;

O post estava bom até vc falar de economistas, rsrs…. essa palavra dá azar!!

Brincadeiras a parte, acho q foi um erro colocar o Dunga. Mesmo sendo o capitão da seleção nos tempos outrora, acho q devia dar uma oportunidade a quem já é gabaritado na carreira. Mas enfim… essa vitória acalma os animos da torcida mas não vai a solução. Espero q até a copa, ao menos, o Dunga ganhe um pouco de maturidade e discernimento q eu acreditava q ele tinha qdo era capitão da seleção.

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